Quem é o (a) lacaio (a) mesmo?
A colunista política do jornal Zero Hora Rosane de Oliveira chamou de “lacaios” os brasileiros que aplaudiram a ação norte-americana que capturou o bandoleiro venezuelano Nicolás Maduro. Por ser uma dessas palmas e me sentir ofendido por sua desrespeitosa classificação, segue o contraponto aos argumentos pueris usados por ela para condenar a operação autorizada por Donald Trump, no último final de semana.

1. Noves fora a óbvia manchete, que repete o jargão de uma esquerda que não aceita perder poder, o texto indica uma dose cavalar de insensibilidade da signatária em relação a realidade da Venezuela.
2. Ao associar a intervenção militar ao interesse do governo americano pelas reservas de petróleo venezuelano, a jornalista não informou que a estrutura petrolífera do país só existe porque empresas americanas investiram no país e na hora de obterem retorno foram retiradas à força pelo antecessor de Nicolás Maduro, o também bandido Hugo Chávez.
3. Faltou a colunista dizer que o petróleo venezuelano é uma fonte sistêmica de enriquecimento à elite política do país, cuja população encolheu seu PIB per capto em 90% nos últimos dez anos. Por mais “americano” que se torne o petróleo local, os venezuelanos terão mais retorno da sua riqueza natural do que têm agora.
4. Comparar a preocupação americana com a ditadura da Venezuela em relação as do Catar, Arábia, Irã, China e Rússia é desconhecer minimante os fatores internos e geopolíticos. A começar que as populações desses países não estão morrendo de fome por conta de má gestão e corrupção. E esses ditadores, pelo que se sabe, não chefiam, assim como Maduro fazia até sexta-feira, carteis de drogas que abastecem os EUA.
5. Faltou consciência da autora da nota sobre a negligência brasileira, especialmente do governo do seu presidente Lula em ser o negociador da questão. O mesmo presidente que fez vistas grossas à invasão da Rússia na Ucrânia agora critica a ação de Trump.
6. Colocar num mesmo saco os apoiadores da ação militar na Venezuela aos que chiaram contra a propaganda dos chinelos é falta de capacidade de entender como pensam os seus próprios leitores. Uma coisa é delírio ideológico, que beira o jocoso, outra bem diferente é a percepção que estava na hora de frear um monstro que mandou executar 23 mil conterrâneos em cinco anos por não concordarem com a sua forma criminosa de mandar.
Quando um militante adestrado carrega no folclore para emitir suas viciadas opiniões é normal, mas quando uma editora de um grupo que ajuda a formar conceitos se posiciona recorrendo a uma narrativa superficial e ideológica e, pior, ofende quem pensa diferente, isso é um problema.
A Zero Hora e o grupo RBS devem um pedido de desculpas aos seus leitores e assinantes, ofendidos por uma das suas colaboradoras por torcerem por uma vida melhor aos seus vizinhos sul-americanos.
