A provocação necessária da OAB gaúcha
É um baita negócio ser parente de ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro, ainda mais sendo advogado ou advogada. Vejam o caso de Rodrigo Fux, que administra a banca de advogados da família, fundada pelo pai Luiz em 1994. Até 2011, o filho de Fux tinha cinco processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Catorze anos depois de o pai assumir a cadeira na Corte, o número de processos sob sua responsabilidade saltou para 544 nas duas casas.
A esposa de Alexandre de Moraes, Viviane, fechou um contratinho com o banco Máster para receber R$ 3,6 milhões mensais, num total de R$ 129 milhões. Já a ex-esposa de Dias Toffoli tem clientes importantes no seu escritório, como a J& F e a CSN Mineradora, ambas com processos cabeludos na Suprema Corte.
Por causa dessas e de outras deformidades éticas, técnicas e administrativas do STF é que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio Grande do Sul decidiu lançar, nesta quarta-feira (4) uma carta assinada por ela e por outras entidades verbalizando o inconformismo.
A carta pede mudança em oito pontos relativos à relação da Justiça com os advogados e de interesse da sociedade, como o que sugere a adoção de outros critérios para escolha dos ministros e a revisão das regras para atuação dos parentes advogados nos processos que envolvem o STF.
O grito da OAB gaúcha talvez não provoque nenhuma mudança na monarquia judiciária de Brasília, mas os seus ecos causam desconforto. Ao elaborar essa carta aberta a OAB-RS incorpora um sentimento de indignação que ultrapassa as paredes técnicas do Direito e o documenta.
"E são atitudes como essas, em horas como essas é que as organizações representativas se dão ao respeito e as suas lideranças mostram para que vieram"
A Ordem gaúcha e o seu presidente Leonardo Lamachia fizeram isso cercada de cuidados para não extrapolar o seu limite seccional e consciente de previsíveis reações.
“Insolência” que faz o advogado Leonardo Lamachia reforçar sua reputação local e tracionar para além do Mampituba a imagem de um guia sincrônico e incomodado com as incorreções.
A seccional gaúcha fez aqui o que era para ser feito pela OAB nacional, que infelizmente se politizou, acumulando uma série de omissões nos últimos anos. Quem sabe num futuro próximo, um presidente do perfil de Lamachia devolva à OAB Brasil o protagonismo que ela um dia ela teve.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
