O campo evitou mais uma vez um PIB vermelho
O fechamento dos números do PIB de 2025 divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE confirmam que o campo salvou a cidade mais uma vez. Com alta de 11.7% sobre 2024, o agronegócio foi o segmento que mais cresceu entre os avaliados chegando a notáveis R$ 775, 3 bilhões dos R$ 12,7 trilhões do PIB geral brasileiro.
Por sua vez a indústria se expandiu em 1,4% e o setor de serviços em 1,8%. E esse crescimento pífio dos demais segmentos ajudou o PIB do Brasil a ser o pior dos últimos seis anos anteriores, fechando com um incremento de 2,4%. E aí não tem agro que salve.
Os números da agropecuária têm forte influência da maior produção e produtividades dos grãos e também da pecuária, sobretudo no último trimestre em relação ao mesmo período de 2024. A maior produção de milho, de 23.6%, e da soja, de 14,6%, puxou os números do agro para cima. O tabaco, com 29,8% e a laranja, 28,4%, ajudaram a bombar o PIB do agro em 2025.
Não é de hoje que o setor primário vem compensando o baixo desempenho das demais camadas da economia brasileira. Isso em cenários hostis à produção. E se tem alguém que tem todos os motivos para não se estimular a investir no negócio esse é o produtor rural. É dificuldade de crédito, é rentabilidade baixa, é seguro caro, é seca ou enchente, é juro alto. Imagina se a vida fosse menos complicada para o empreendedor rural?
" Sobre os juros, quem aguenta uma taxa oficial de 15% e que chega a 20% na vida real?"
Esse é um dos fatores mais complicadores para quem produz e para quem consome. E por isso o índice de investimento no país é baixo e, que traz como consequência, esse atolamento sem fim do PIB.
Um dado do IBGE escancara isso: a chamada formação bruta de capital fixo (FBCF), que é a medida daquilo que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação cresceu apenas 2,9% em 2025, inclusive com queda de 3,5% no quarto trimestre na comparação com os três meses anteriores do ano.
Os números provam que o Brasil está estagnado.
