Tabaco africano achata preços no Brasil

Tabaco africano achata preços no Brasil

No fim de março de 2025 mais de 40% do tabaco produzido no Rio Grande do Sul já havia sido comercializado pelos produtores com as indústrias. Vinte e seis de março de 2026:  a pau e corda, se negociou 20%. Os preços pagos ao produtor, menores do que nas últimas três safras, fazem os fumicultores aguardarem melhores janelas de comercialização.

Nesta semana, a arroba do Virgínia B01, classe de fumo mais colhida e valorizada, está sendo negociada a R$ 375,00 na média contra R$ 420,00 da mesma semana de 2025.  E o problema está na oferta, maior agora com o aumento da produção no Continente Africano. Zimbábue, na Região Centro-Sul da África, aumentou sua produção em quase quatro vezes, pulando de 130 mil toneladas para mais de 400 mil toneladas. Tanzânia, no leste, e Zâmbia, no sudeste africano, mais que dobraram as suas áreas e produções de tabaco.

O custo para se produzir na África é 50% mais baixo do que aqui. Pesa também contra a melhor remuneração dos produtores brasileiros o fato de a África oferecer além da quantidade, uma qualidade de tabaco similar à produzida no Brasili. Assim, a Europa, que também é o principal destino no fumo brasileiro a partir do Porto da Antuérpia, na Bélgica, absorve quase 100% da produção africana.

Essas e outras informações da cadeia do tabaco foram repassadas à coluna pelo presidente da Câmara Setorial Nacional do Tabaco, Romeu Schneider, no segundo dia da Expoagro 2026, em Rio Pardo. Schneider, que também responde pela presidência do braço comercial da  Associação Brasileira dos Fumicultores, a Agrocomercial Afubra, é um dos maiores conhecedores das engrenagens da cadeia do fumo no Brasil e no mundo.

Schneider também informou que uma estimativa prévia da Afubra indica que a produção sul-brasileira de tabaco deverá ficar em 685 mil toneladas, contra 719 mil T. da safra de 2025. Menor produtividade em função do clima seco de algumas regiões e a ocorrência de granizo em diferentes regiões produtoras puxaram para baixo o volume a ser colhido esse ano. Tanto que o seguro-mútuo da Afubra está fazendo um reembolso recorde esse ano chegando a R$ 237 milhões em indenizações aos produtores das lavouras foram atingidas.

O dirigente, porém, ressalta que esses números tendem a não ser definitivos, já que muito tabaco dessa safra foi plantado fora do sistema integrado entre produtores e indústria.

Schneider também falou sobre algumas batalhas travadas pela cadeia do fumo, alvo de permanentes ataques do setor da saúde. Por exemplo:

"É longa a espera pela aprovação dos chamados cigarros aquecidos, que utilizam a matéria prima do cigarro comum, mas sem a ingestão ou liberação de monóxido de carbono"

Sob o ponto de vista da toxidade o cigarro aquecido é menos agressivo à saúde do que o cigarro comum ou o eletrônico, que trabalha com essências líquidas e artificiais. Essa pedido, entretanto, está travada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não há nenhum sinal de futura movimentação no processo de autorização do seu uso. 

O mesmo dispositivo, informa Schneider, “está ganhando subsídios públicos no Reino Unido para incentivar o seu consumo ao invés do cigarro tradicional. Isso avalizado pela ciência, que aqui parece ter menos força do que a ideologia.