Não ter candidato no RS é um duro golpe no orgulho petista

Não ter candidato no RS é um duro golpe no orgulho petista

Desde aquela primeira campanha, em 1982, quando o bancário Olívio Dutra fez 50.713 votos, ou 1,5% dos votos na eleição vencida por Jair Soares (PDS), o Partido dos Trabalhadores não terá candidato ao governo do Rio Grande do Sul este ano. Foram 11 eleições, com duas conquistas do Piratini, com Olívio em 1998 e Tarso Genro, em 2010, e quatro segundas melhores votações.

Os sinais de enfraquecimento começaram já em 2014, quando Genro não conseguiu se reeleger, mas apareceram mais agudos em 2018, quando Miguel Rosseto não chegou ao segundo turno, o que voltou a ocorrer com Edegar Pretto, quatro anos depois.

Pretto, que presidiu a Conab de maio de 2023 até o mês passado, trabalhou muito para voltar a concorrer esse ano, mas o PT nacional, influenciado por correntes internas gaúchas do partido, não quis.

Na resolução, assinada pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva e publicada nesta terça-feira (7), a justificativa é que as alianças regionais em torno da reeleição do presidente Lula é a prioridade e que PT deverá apoiar o nome da deputada Juliana Brizola no Sul.

O principal crítico da candidatura própria no Estado e apoiador do PDT como cabeça de chapa é Paulo Pimenta, deputado federal e pré-candidato ao Senado. Com trânsito no diretório nacional do partido, Pimenta é a da corrente Socialismo em Construção, que possui um quarto do diretório estadual.

Ao todo, são cinco as correntes do PT gaúcho. A diversidade, que lá atrás ajudou a formar uma aura democrática e descolada do partido, hoje age em favor da fragmentação.

"Não ter pela primeira vez em 34 anos um candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul é um golpe duro na biografia da sigla e no orgulho de suas figuras símbolos"  

Apoiar um nome com chances questionáveis de se eleger, no caso a neta de Leonel Brizola, dum partido que até ontem esteve no governo Leite, é parte do pagamento de uma futura que chegaria a um partido político que se lambuzou de poder e dele se contaminou, se desconectando do seu público e não se renovando.

A opção do PT nacional é uma admissão que apenas o que resta do grande partido é Lula. Assim como aconteceu com o PDT, que com a falta de Leonel Brizola se tornou uma coluna de apoio dos grandes, o PT agoniza rumo à divisão das siglas coadjuvantes.

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A coluna de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo