Dívidas rurais: pauta ganha preço no Senado; governo virá com contraproposta
As negociações para solucionar o endividamento dos produtores rurais gaúchos e brasileiros deram mais um passo nesta terça-feira (28), em Brasília. Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, coordenou uma reunião ordinária na qual participaram outros 20 senadores, deputados e lideranças do setor do Rio Grande do Sul.
A pauta ganhou preço no Senado, inclusive com o cascudo Calheiros dando prazo para o assunto ser resolvido, após ser convencido de que a proposta do Ministério da Fazenda fica bem abaixo das expectativas dos produtores.
Também nesta terça-feira, houve novo encontro com o ministro da Fazenda, Dário Durigan, que ficou de estudar melhoras na composição da proposta apresentada na semana passada a partir da formação de um Grupo de Trabalho.
Se isso não acontecer, tanto Renan Calheiros, quanto a sua colega Tereza Cristina (PP-MS) foram categóricos ao dizer que o PL irá a plenário, inclusive antes do lançamento do Plano Safra 2026-27, que normalmente ocorre em junho.

Aliás, a entrada de Tereza Cristina em campo acelerou a articulação. Com voz respeitada no Senado e no governo, apesar da sua identificação com a oposição, a senadora saiu otimista da reunião com o ministro: “Eles (o governo) estão mostrando boa vontade”, disse a ex-ministra, completando:
"Nós temos hoje uma guerra em curso, que todos os países do mundo têm preocupação com alimentos. Nós temos um ambiente de trabalho muito bom para caminhar o mais rapidamente possível, que eu penso que tem que ser antes da apresentação do novo Plano safra”.
Na reunião do Senado, na qual os gaúchos foram representados por lideranças entre as quais o senador gaúcho Luis Carlos Heinze (PP), o secretário da Agricultura Márcio Madalena, o presidente da Fetag, Eugenio Zanetti e o deputado estadual Marcus Vinicius, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes mexeu com a memória afetiva de Calheiros ao citar frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República na primeira securitização: “Os produtores rurais do Brasil não podem ser penalizados pelo clima e, também, por Brasília”.
Ato contínuo, sugeriu a Renan, ex-ministro da Justiça de FHC, deixar também o seu nome na memória dos produtores como aquele que conduziu politicamente a securitização de 2026.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
