Máquinas a etanol podem ter lançamento antecipado
A Abimaq, que representa a indústria das Máquinas Agrícolas, divulgou nesta quarta-feira (29), os resultados do primeiro trimestre do setor. E eles não são bons: as vendas caíram 16, 4% em relação aos primeiros três meses de 2025.
O anúncio, feito na AgriShow, de Ribeirão Preto (SP), revelou que o setor vendeu R$ 12,8 bilhões nesse período. E a previsão da associação, se nada mudar, é fechar o ano com redução de 8% na comercialização geral de máquinas.
A Abimaq credita a dois fatores o saldo negativo: a economia brasileira atual, que impõem uma série de dificuldades aos produtores rurais, o que acaba bloqueando a alavanca do investimento. Os juros altos lideram essa lista de obstáculos.
O dólar mais desvalorizado também é apontado como razão da baixa da comercialização, já que os produtores de soja e milho acabam tendo seus lucros diminuídos com a exportação baseada na moeda norte-americana.

Também na Agrishow é pauta o custo alto das operações dos tratores e colheitadeiras por causa do diesel. E alternativas estão tendo os seus processos de validação acelerados. É o caso do uso do etanol nas máquinas pesadas, até então tratado como uma realidade distante, mas que começa a ganhar forma no presente. A AGCO já vem trabalhando com data de lançamento e informando que máquinas da Valtra, uma das três fabricantes do grupo, já completaram 10 mil horas de testes em lavouras. Tratores da Massey Ferguson, também da AGCO, com motores de até 300 cavalos de força, também estão sendo testados.
"Máquinas pesadas movidas à eletricidade também não são mais sonho, e na Europa estão sendo testados modelos em lavouras que combinam esse sistema com combustível fóssil. A Fendt e a Valtra estudam o uso desse tipo de máquina na América Latina"
Se a crise tem seus lados positivos, um deles é o de tornar caminhos e tempos mais curtos. No caso das máquinas, em meio a mais essa tensão mundial, essa máxima está funcionando.
____
A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
