O PIB per capto é um indicador incontestável do atraso brasileiro  

O PIB per capto é um indicador incontestável do atraso brasileiro  

Um país que perdeu muito tempo e dinheiro por falta de foco. Um país que alternou momentos de crescimentos econômicos superficiais e lentos com quedas abruptas e profundas. Um país que investiu pouco em infraestrutura, em educação, em tecnologia.

É alto o preço que uma nação toda paga por ser mal administrada por sucessivos governos - pouco ou quase nada comprometidos com o futuro. Os números falam:

O PIB per capto médio global, que mede a capacidade financeira por habitante, cresceu 675% nos últimos 46 anos, enquanto o brasileiro subiu 428%. Em 1980 enquanto registrávamos um PIB de US$ 4,4 mil e o mundo de US$ 3,8 mil, em 2025 esses números subiram para US$ 3,3 mil e US$ 26,1 mil, respectivamente.

Quando comparados com os países desenvolvidos, esse fosso em nosso desfavor é maior ainda, e na comparação com os países emergentes também perdemos, já que o crescimento médio dos países pobres nesse período foi de 1.128%, mais do que o dobro nosso.

Esses números são de Paridade do Poder de Compra, compilados pelo Peen Word Table, observatório de dados com sede na Holanda que tem parceria com universidades norte-americanas.

 Os gráficos mostram que a economia brasileira cresceu bem até o início de 1980, quando tivemos toda aquela celeuma da negociação da dívida externa e experimentamos a hiperinflação que durou até 1994, quando foi lançado o Plano real.

Além das crises internas e externas que foram freando nossa expansão, o Brasil levou muito tempo para reagir às mudanças, como a da globalização. E sua integração ao comércio mundial quando se deu, no início da década de 1990, foi carregada de protecionismos.

"Os analistas lembram que entre 1950 e 1982 o Brasil conseguiu organizar a sua produção, com a migração de trabalhadores do campo que ajudaram na expansão dos setores de serviços e indústria, que fez a importação se reduzir gradualmente"

Ajuste feito, dizem, “o problema foi desenvolver cada setor”. Ao contrário do agronegócio, que desde 1980 cresce, indústria e serviços estão estacionados desde 1995.

O PWT mostra que se tivéssemos crescido no mesmo ritmo de países com PIB per captos similares ao nosso em 1981, casos de Coreia do Sul e Romênia, 2023 o PIB per capto brasileiro seria de US$ 13,4 mil a mais, chegando a US$ 31,9 mil.

Mancada econômicas, discussões internas permanentes, falta de estrutura e de táticas, a nossa liderança regional, caso exercida, se converteria em vantagens em acordos comerciais mundiais. Isso e outros fatores de atraso puxou o nosso freio de mão, que pior, continua acionado.

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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo