Oferta de gado sem perspectivas de mudanças, diz Barcellos

Oferta de gado sem perspectivas de mudanças, diz Barcellos

Sempre muito claro ao falar daquilo que mais conhece, o professor Júlio Barcellos nos ofereceu no último sábado, em entrevista ao programa Conexão Rural, uma aula de compreensão da produção e do mercado da pecuária de corte.

Em pauta nas últimas duas semanas por conta do anúncio da União Europeia de suspender a importação da carne brasileira a partir de 3 de setembro, por conta do não cumprimento de normas sanitárias, a carne gaúcha e brasileira precisa acelerar processos para se adequar ao cada vez mais exigente mercado internacional.

Barcellos lembra que aquilo que o Brasil deve fazer agora em relação aos antimicrobianos banidos pela UE a Argentina se adiantou a dois anos e agora nada muda no seu comércio com o bloco europeu.  

Sobre a relevância financeira das exportações de carne para o bloco, o coordenador do Nespro/Ufrgs concorda não ser a mais expressiva, representando menos de 4% do total comercializado pelo Brasil com o mundo, mas possui um efeito multiplicador:

“Quem vende carne para a UE vende para outros países, pois eles compram de quem a Europa compra”, ponderou Barcellos, ao utilizar o exemplo das nações do Oriente Médio.

Barcellos reforça que a pecuária brasileira não usa nenhum produto proibido para o consumo humano e que a qualidade da nossa carne é reconhecida pela excelência em todo o mundo.

“Se adequar a esse ou aquele mercado é uma questão de opção”, comentou Barcellos ao informar que a pecuária americana decidiu continuar a aplicar hormônios de crescimento no seu gado consciente de que não exportaria a sua carne para a Europa.

Para Barcellos, que se prepara para comandar com a sua equipe acadêmica a 21ª Jornada Nespro, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, nos próximos 24 e 25 de junho, o mais preocupante nesse momento é a falta de gado no Brasil e no mundo:

“Estamos diante dum cenário de um inédito aumento do consumo de carne vermelha no mundo por três anos consecutivos e não temos qualquer perspectiva de ampliação dos rebanhos por cinco anos”

“Para pagar as contas, os produtores continuam mandando as suas matrizes para o abate”, informou ele, apontando a pressão financeira sobre um produtor gaúcho endividado como principal causa.

E completou:

“E até aqui pelo menos, o botão da necessidade urgente de incrementar a produtividade da pecuária gaúcha ainda não foi acionado de fato”.     

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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo