Enquanto as bets e seus famosos fazem a festa os apostadores comem menos
Quando você ler a notícia de que o consumo de arroz, de feijão ou de carne no Brasil diminuiu saiba que isso tem a ver com as apostas on line em jogos. O fenômeno, vendido nas mídias por gente famosa como símbolo de entretenimento se tornou um grande problema social, econômico e de saúde no Brasil.
A sensação é de perda de controle total: dos apostadores, que jogam mais para recuperar o que perdeu e daqueles quem deveriam controlar e fiscalizar. Enquanto o vício enriquece as casas de apostas, cidadãos recorrem a bancos e agiotas e até vendem bens para tapar seus rombos. Setores como o da alimentação, do varejo e até da aviação registram queda de faturamento por causa da concorrência com as bets.
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A respeitada consultoria Worldpanel by Numerator constatou que as famílias brasileiras reduziram em 13% os gastos com comida e bebidas nos supermercados em 2025 para apostar. Em outra pesquisa, da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), de maio passado, aponta um gasto de R$ 360 bilhões em apostas em 2025. Nesse mesmo estudo se levantou que 26% dos lares se declararam apostadores regulares, dobro de 2024. Ou seja: em cada 4 famílias, uma aposta com frequência.
Assim como nas timbas de carteado, a maioria perde para alguns ganharem. No caso das bets, enquanto os seus gordos lucros pagam fortunas para jogadores, atores e influenciadores fazerem coloridas e eletrizantes propagandas para TVs e internet, cidadãos perdem qualidade de vida, comendo menos, se vestindo mal e até deixando de se medicar. Comércios têm seus lucros diminuídos e o Estado gasta mais com saúde pública.
Engana-se quem acha que o Tesouro público passou a lucrar com a regulamentação dessas bets. O Hospital de Clínicas da Faculdade de São Paulo mostrou por pesquisa que enquanto a Uniao arrecadou R$ 9 bilhões em 2025 com a tributação das Bets, o SUS consumiu R$ 38 bilhões no tratamento dos transtornos da ludopatia, como é chamada patologia do vício em jogos.
Por justiça é preciso dizer que o poder público tem tentado reagir. Lançada em dezembro último pelo governo, uma plataforma digital de autoexclusão dos sites de apostas já contabilizou a saída de 700 mil apostadores dos sites.
"De quatro a cada dez autoexcluidos das apostas justificaram terem perdido o controle. A maioria, 70% pediram a proibição permanente do seu CPF nos cadastros das bets"
Já na semana passada, o governo também autorizou que que garotos e garotas propaganda das Bets também serão responsabilizados pelos crimes de lavagem de dinheiro ou de evasão de dinheiro cometidos pelas bets.
Iniciativas que ajudam, mas que estão longe de controlar esse que é um problema social, de economia e de saúde pública.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
