Durigan fala em nova contraproposta ao 5122 para atender o sistema financeiro

Durigan fala em nova contraproposta ao 5122 para atender o sistema financeiro

Com pompas de grande evento, o governo lançou no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (30) o Plano Safra para a agricultura brasileira do próximo ciclo. Foram divulgados os valores das respectivas linhas de crédito do plano empresarial, pela manhã, com o vice-presidente Geraldo Alckmin representando o governo, e o da agricultura familiar, na entrada da noite, aí sim com Lula presente.

São R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial e mais R$ 97 bi para a familiar, sendo R$ 85 bi desses destinados ao Pronaf. Desses valores anunciados para a categoria empresarial apenas 18,5%, ou R$ 97 bi serão investidos pela União para subsidiar os juros.

Juros que aliás foram reduzidos, em média 1% nas diversas linhas, mas continuam altos, impraticáveis para quem quer captar recursos para investir ou mesmo pagar um custeio de lavoura.

E mais uma vez um plano safra que não contempla o Programa de Seguro Rural, que permanece cobrindo uma área muito modesta das lavouras brasileiras. Aliás, sequer o seguro rural consta na programação do novo plano.

Mas o que mais pesou mesmo contra esse plano safra anunciado, e aqui entra a posição das federações da agricultura de estados produtores como Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, foi ele ter sido anunciado sem uma alternativa para resolver o passivo do setor, que não é pouco.

“Não adianta anunciar um Plano de financiamento para quem não possui condições de contrair crédito e com os juros nas alturas”, pontou em nota a Federação da Agricultura do Paraná, a Faep.

No mesmo dia do anúncio do plano safra o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo estuda uma versão desenrola para as dívidas rurais, a ser apresentada já nos próximos dias em forma de Medida Provisória.  Num tom amargo, como é o de costume quando se dirige aos produtores rurais brasileiros, o ministro disse que:

“O que não podemos admitir, em nome do sistema financeiro e olhando para a situação dos bancos e fiscal do país, é que a gente faça uma grande renegociação, inclusive para quem não precisa, olhando para a situação do agro como todo”

A manifestação do ministro já sugere quem o governo pretende atender com a nova proposta.  

____________

A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo