O Mapa virou uma repartição politicamente estéril
Essa é uma semana decisiva na negociação entre governo, FPA e entidades do setor para batida de martelo da Medida Provisória que está sendo elaborada para socorrer os produtores rurais endividados.
O PL 5122, que criaria os mecanismos para a liquidação dos passivos, ficou para trás, mas foi crucial como instrumento de fundamentação técnica e de pressão política.
A semana abre com mais pontos de concordância sobre o texto dessa MP do que tinha na segunda-feira passada, antes das reuniões entre o Ministério da Fazenda, parlamentares da FPA e as lideranças do setor.
As discordâncias que restam são sobre a taxa de juros de determinados enquadramentos e aplicação ou não de juros controlados às CPRs a serem usadas nas operações.
Na prática, tanto as fontes dos recursos quanto os fundamentos das taxas têm o Plano Safra como base.
Já a discussão sobre prazos e carências, que travavam o avanço, foi superada, com o governo fixando em 10 anos o prazo de pagamento com dois de carência.
Chama atenção nessas negociações a total ausência do Ministério da Agricultura. Não há uma referência a qualquer participação do chefe desta pasta ou dos seus técnicos nessas tratativas, lideradas diretamente pelo ministro da Fazenda. E não é só nessas tratativas que isso tem acontecido.
Na atual gestão federal, o ministério da Agricultura foi reduzido a um órgão carimbador de trâmites técnicos e o seu titular é uma mera figura de decoração. No governo Lula o Mapa perdeu a sua representatividade entre as entidades rurais e não possui qualquer força política junto ao governo.
"Nomes que ajudaram a mudar a história da produção agropecuária brasileira já passaram pela chefia do Mapa, sendo ministros de verdade, como o de Marcus Vinicius Pratini de Moraes, decisivo para aprovação do projeto que tornou Lei a securitização em 1995"
Alysson Paolinelli, Francisco Turra, o próprio Roberto Rodrigues, no primeiro governo Lula, são outros que souberam se fazer respeitar como ministros da Agricultura, assim como Mendes Ribeiro Filho, que mesmo sem intimidade com o campo, batia o pé por ele gabinete de Dilma Rousseff. Todos esses deixaram boas marcas.

Por apenas defenderem os interesses do seu presidente, Carlos Fávaro e André de Paula foram apenas chefes nomeados, não ministros. Deles, o agronegócio não terá nenhuma saudade.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
