Dinheiro caro, preciosismo dos bancos e economia frágil derrubam o volume de crédito rural
Regras mais rigorosas para liberação de dinheiro, taxas de juros altas, depreciação de preços dos produtos agrícolas, uma carteira já estressada de um setor com dívidas acumuladas e uma economia pública vulnerável administrada por um governo que está longe de dar a atenção merecida ao campo.
Razões que fazem com que o financiamento da agropecuária brasileira despencasse em área e valores. Com dados do Banco Central, o departamento econômico da Farsul elaborou uma nota técnica que mostra que entre agosto de 2025 e julho de 2026 a área financiada no Brasil caiu de 34,2 milhões de hectares para 25,4 milhões de ha, 25% a menos.

Já o volume de valores liberados foi reduzido em 12%, de R$ 205, 8 bilhões para R$ 181,1 bilhões. De 867 mil contratos assinados entre 2024-25 eles baixaram para 777,8 mil nas safras 25-26.
"No Rio Grande do Sul a agricultura feita com crédito público diminuiu ainda mais: 29,3% da área financiada e 18,3% de valores liberados, ficando em R$ 23 bilhões, sendo as lavouras de trigo, arroz e soja, respectivamente, as menos financiadas com crédito oficial"
Na mesma nota, a Farsul alerta para os efeitos da escassez de crédito como a diminuição da safra 26-27, e consequentes redução do PIB, alteração do saldo da balança comercial e inflação de alimentos.
Os números realçam a urgência das mudanças dos critérios de enquadramento da linha disponibilizada pela MP 1736, que libera aos bancos recursos para negociação do passivo rural.
Em tese as novas regras furariam a bolha da resistência das instituições bancárias, reforçada pelo amparo da resolução 4.966/2021, que tornou mais preciosista ainda avaliação de riscos das operações de crédito em geral, mas que atinge diretamente os encaminhamentos de financiamentos rurais.
Se nada mudar, a tendência é que o crédito oficial para agricultura nos próximos anos encolha mais ainda.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
