No mundo eleitoreiro dos ministros o agro só tem boas notícias

No mundo eleitoreiro dos ministros o agro só tem boas notícias

Nesta terça-feira, mesmo dia que o presidente Lula usava a tribuna da ONU como púlpito de campanha, num modorrento discurso pró-soberania contra o inimigo Ianque, os seus ministros das área da produção rural se manifestaram no Brasil.

Em Belo Horizonte, no Congresso Brasileiro do Algodão, o ministro da Agricultura, André de Paula tentou ser eficaz na missão eleitoreira de vender otimismo. Bem orientado, evitou, claro, de falar de problemas. Na abertura do evento, descartou o risco de desabastecimento de fertilizantes a partir dum acordo firmado entre Brasil e Marrocos e sinalizou para maior oferta doméstica de nitrogenados, com a reativação de fábricas e da inauguração futura de outras. O ministro estimou uma produção futura local de ureia de 35% do consumo nacional.

Já em Brasília, a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli afirmou que renegociações de dívidas dos produtores rurais propiciadas pela MP 1736 irão crescer expressivamente nos próximos 30 dias. Sobre o baixo volume do passivo negociado até aqui, Machiaveli disse que isso é normal e que leva um tempo para a regulamentação ser efetivada e entendida por bancos e produtores rurais que precisam se adaptar às resoluções do órgão monetário oficial.

As falas dos ministros são música aos ouvidos iludidos, mas não são mais do que discursos integrantes de uma narrativa promocional de campanha. De Paula, que responde hoje por um ministério que foi inoperante nesses quatro anos da gestão Lula, sabe que até começarem a chegar as primeiras cargas de fertilizantes marroquinos um longo rito burocrático e comercial deve ser seguido e que o que existe  de fato, até aqui, é um memorando de entendimento e ninguém sabe a que custo esses produtos chegarão às lavouras.

"Sobre as fábricas de nitrogenados os investimentos são privados"

Sobre a fala de Machiaveli, que parece viver num mundo paralelo encantado, ela omitiu que a verdadeira razão por até aqui ser tão tímida a procura pelas renegociações tem a ver com a elaboração de uma Medida Provisória meia-boca, feita mais para fabricar manchetes do que para desarmar a bomba do endividamento da produção agrícola brasileira.

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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo

Comentário 23 de setembro 2026