Lula e PT se debatem para evitar derrota já no primeiro turno
Diminuir a desvantagem numérica de votos para Flávio Bolsonaro (PL), levando a disputa (in)dignamente para um segundo turno é o desafio da campanha de Lula (PT). O risco de uma derrota no dia 4 de outubro é real. O sinal piscante de alerta no QG lulista petista é acompanhado por uma frenética mobilização para criação de novos fatos políticos capazes de reverter a sangria de votos perdidos.
A proibição das apostas on line, assinada nesta sexta-feira (25) pelo presidente, é a mais recente e também a mais arriscada das jogadas que compõem essa desesperada ofensiva, que conta ainda com o reajuste do bolsa família, a promessa de canetas emagrecedoras marca SUS, o zeramento dos impostos da cesta básica e a compra das dívidas da população que ele contribuiu para se encalacrar.
"A proibição das bets são jogadas de risco, pois se por um lado Lula ganha a simpatia de mães e esposas dos viciados, por outro mexe num vespeiro que mexe com bilhões de Reais mensais, divididos pelas casas de aposta com a mídia e com clubes de futebol. Haverá motim"
A novidade do modo Lula-PT deste ano é a carga do assédio disparada num intervalo muito curto de tempo e muito próximo da votação. Lula e o PT pouco fizerem para não estarem onde estão e se debatem após quatro confusos anos de uma gestão que deixou o país menor do que era.
A coluna lista cinco razões para essa que deverá ser a quarta derrota de Lula em eleições presidenciais.
1. Marcha-à-Ré - Ao contrário dos governos anteriores faltou criatividade para criar novos programas sociais ou de fomento à atividade produtiva. Lula apenas requentou pratos já servidos, como o “Minha Casa, Minha Vida”, que deram um lastro eleitoral para o PT vencer quatro vezes seguidas a Presidência.
2. Corrupção – A indecência continuou colada a Lula, com aliados próximos e gente da sua confiança envolvidas em esquemas. A associação do seu filho mais velho com lobistas e com os fraudadores do INSS foi uma das pauladas que ajudou a minar mais a confiança, historicamente abalada.
3. Judiciário - O desgaste dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e do STF respingou em Lula, considerado um protegido pelas asas da Corte. O pesado castigo dado a Jair Bolsonaro começou a ser entendido, além dos muros bolsonaristas, mais como um ato retaliação política para beneficiar Lula do que um rito jurídico sério.
4. Alvo errado - Os sábios do núcleo da campanha de Lula não entenderam que não era com Flávio Bolsonaro que eles disputariam a eleição. Enquanto os ataques foram sendo centrados no senador do PL, Jair virou vítima silenciosa de um sistema que conspirou para lhe tirar de circulação. Ao invés de enfraquecer, o bolsonarismo, que tem o anti-petismo como principal bandeira se robusteceu.
Prova de que a concentração de fogo em Flávio foi um erro é o caso “Dark House”. Considerado pelo PT como a bala de prata da reeleição, não passou de um tiro de espoleta.
5. Voto útil - Lula tem 50% de rejeição e não tem mais de onde tirar voto, já que o grosso da esquerda já embarcado. Flavio é o herdeiro natural dos votos de Caiado, de Zema, do escritor Cury e do menino maluquinho Renan. Se esse espólio começar a ser antecipado na próxima semana são fortes as chabces da coruja já ser pelada no domingo, dia 4.
