Newcastle freará bom momento das exportações de frango
Após uma investigação epidemiológica, o Serviço Veterinário Oficial no Estado de Santa Catarina (Cidasc) atestou no último dia 14 um foco de Newcastle numa granja de perua de Nova Itabera, próximo de Chapecó, Oeste do Estado. O diagnóstico, confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA/SP), fez o Ministério da Agricultura declarar estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios da região e anunciar um plano de emergência a ser executado imediatamente, com o monitoramento de 133 granjas na área de contingência e o sacrifício inicial de 6 mil animais.

O protocolo sanitário recomenda também a comunicação imediata do foco aos países importadores e a publicação do caso no site da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Ou seja, tudo é feito de forma bem transparente, conforme os acordos internacionais.
A doença, batizada de Newcastle em função do local onde surgiu o primeiro foco, no Nordeste da Inglaterra, é uma infecção viral que começa no sistema respiratório das aves e vai atingido todas as suas funções vitais. Altamente contagiosa, costuma matar planteis inteiros de frangos e de demais aves, mas são atinge humanos, causando no máximo irritação nos olhos e peles daqueles que manejam diretamente os animais contaminados.
Que a ocorrência trará prejuízo ao setor não há dúvidas, a saber qual será a sua proporção. São 151 países que importam o frango da região sul do pais, sendo a China a maior compradora. Estamos falando de um mercado bilionário, o qual entre janeiro e setembro deste ano exportou 4,4 milhões de toneladas, num faturamento de US$ 8,673 bilhões.
Quando emergências sanitárias dessas ocorrem, os países compradores costumam agir de duas formas: ou restringem as importações de todo o país de origem do produto ou regionalizam o embargo. Em 2024, quando deu Newcastle numa granja gaúcha de Frangos em Anta Gorda, as vendas foram suspensas para dezenas de países, mas a maior parte deles deixou de comprar apenas o frango do Rio Grande do Sul.
"Já em maio de 2025, um foco de gripe aviária numa granja de Montenegro causou um prejuízo de US$ 4, 8 milhões com o cancelamento das exportações gaúchas apenas no primeiro mês de embargo"
Menos mal que os produtores catarinenses, assim como os gaúchos, são amparados por um fundo sanitário que garante o reembolso pelas aves abatidas.
