Perfil de ministro vai revelar ânimo de Lula em cessar fogo com o campo
As articulações para a escolha do ministro da Agricultura do governo Lula 4 estão em andamento, mas ainda está longe de haver uma definição. O nome a ser anunciado depende de como Lula projeta a atuação da pasta na sua nova gestão: se no modo Roberto Rodrigues, forte ministro do seu primeiro governo (2003-2006), ou no modo Carlos Fávaro, de representatividade zero.
Mas há pouca esperança de que Lula tenha disposição em devolver à pasta o seu protagonismo, perdido para o MDA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, a partir dessa equivocada postura dos governos petistas de estímulo à divisão, privilegiando aquela parte a qual julga mais alinhada ideologicamente.
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Kassab mais forte ainda?
Pode parecer surpreendente, mas a agricultura pode sim continuar nas mãos do PSD, de Gilberto Kassab, sim o candidato a vice-presidente de Ronaldo Caiado na eleição recém encerrada. Kassab é uma das vozes fortes dum Centrão que terá ainda mais força num congresso com uma oposição mais reforçada a partir de janeiro. E nessa possível permanência do PSD na chefia da pasta, o atual ministro André de Paula é um dos cotados.
"O outro é o próprio Fávaro, não reeleito ao Senado por Mato Grosso"
Mas se Lula resolver dar uma guinada, pode optar por um nome de consenso no setor, e esse nome é do deputado federal Arnaldo Jardim, do Cidadania de São Paulo. A favor da indicação de Jardim, a sua relação próxima com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de quem foi secretário da Agricultura. Contra: ter feito campanha aberta para Flávio Bolsonaro.
Seja quem for o novo ministro ele terá de ter muito claro que precisa desamarrar alguns nós que foram se apertando nesses últimos quatro anos, como o do endividamento. Os produtores precisam de alguém do governo para lhe representar na Tesouraria, ao contrário do que aconteceu durante essa crise. E avançar em agendas importantes, como a do seguro rural, agora protegido sob uma lei que garante a execução do seu orçamento. Paralelamente a essa atuação, terá a missão de distensionar essa conturbada relação entre o setor rural e o governo. Isso, claro, se Lula e o PT permitirem.
